Mercado de Carbono e Biogás no Agronegócio Brasileiro: Oportunidades, Desafios e Perspectivas

O Brasil, com sua vasta extensão territorial e rica biodiversidade, tem sido um protagonista nas discussões globais sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. Em meio ao cenário de aquecimento global, o país se destaca não apenas pelos desafios que enfrenta, mas também pelas oportunidades que possui para liderar a transição para uma economia mais verde e sustentável.

O Panorama Brasileiro e o Mercado de Carbono

O Brasil é o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) no mundo, com cerca de 2,2 gigatons de CO2 equivalente emitidos anualmente. A maior parte dessas emissões provém do desmatamento, principalmente na região amazônica, e da agricultura. A entrada do Brasil no mercado de carbono tem sido vista como uma estratégia promissora para combater essas emissões. Um estudo da Câmara Internacional de Comércio (ICC Brazil) em parceria com a consultoria WayCarbon revelou que o Brasil poderia oferecer entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de toneladas em créditos de carbono em 20302. Isso poderia representar até 48,7% dos créditos neste mercado, considerando um preço de $100 por tonelada de crédito de carbono.

Biogás e Biomassa: O Futuro Energético

O Brasil tem um potencial significativo para se tornar líder mundial em produção de biogás e biomassa. A produção de biogás como combustível pode eliminar diversos problemas ambientais relacionados ao desperdício, já que todos os materiais orgânicos são combinados e podem ser usados como forma de biomassa para produção adicional. O mercado global de biogás deve crescer até US$ 75 bilhões até 2026, com um CAGR de cerca de 4,74% durante o período de previsão. O Brasil, com sua vasta agricultura e indústria pecuária, está bem posicionado para aproveitar essa tendência.

Regulamentação e Impacto no Código Florestal

A regulamentação do mercado de carbono no Brasil, conhecido como Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), tem potencial para impactar diretamente o Código Florestal. Esse código, apesar de ser sofisticado e reconhecido internacionalmente, enfrenta resistência de parte do setor ruralista, especialmente aqueles com maior déficit de vegetação nativa. A regulamentação do mercado de carbono pode pressionar esse segmento a regularizar suas terras, conforme determina o código. Além disso, a conexão entre o mercado de carbono e o Código Florestal é crucial, pois grande parte das florestas não protegidas está em propriedades privadas. A validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode gerar recursos significativos para produtores que cumprem a lei, incentivando a preservação florestal.

Iniciativas e Investimentos Recentes

A regulamentação do mercado de carbono no Brasil, formalmente conhecido como Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), tem o potencial de impactar diversos setores da economia, especialmente aqueles relacionados ao uso da terra e sua preservação. A eficácia de leis como o Código Florestal pode ser ampliada com a aprovação desse mercado, principalmente devido aos benefícios financeiros que os produtores rurais podem obter ao aderir a ele.

O Código Florestal, reconhecido por sua sofisticação e considerado um exemplo de normativa para gestão do uso da terra, enfrenta desafios significativos, especialmente de setores ruralistas com maior déficit de vegetação nativa. A regulamentação do mercado de carbono pode incentivar a regularização de terras e a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um registro geral de todos os imóveis rurais do país.

Recentemente, a senadora Leila Barros apresentou um relatório sobre a criação do mercado de carbono no Brasil. O relatório aborda o Projeto de Lei nº 412, de 2022, que tramita em conjunto com outras propostas apresentadas em 2021. Essa legislação busca estabelecer limites de emissões e sanções para empresas que ultrapassarem os níveis estabelecidos, promovendo uma economia de baixo carbono no país. A expectativa é que, até a COP-30 em 2025, o Brasil tenha um sistema eficaz de comércio de carbono.

Conclusão e Perspectivas

O Brasil tem uma oportunidade única de liderar a transição para uma economia mais verde, aproveitando seus vastos recursos naturais e capacidades tecnológicas. No entanto, é crucial abordar os desafios existentes, como o desmatamento e a complexidade da regulamentação da terra, para garantir um futuro sustentável para o país e o mundo. Com investimentos e políticas adequadas, o Brasil pode não apenas reduzir suas emissões, mas também se tornar um líder global em soluções sustentáveis.

Publicado no site da GNPW Group.

Publicado por Marcos Antonio Grecco

Marcos Antonio Grecco é fundador e CEO do GNPW Group e Doutor em Economia pela Universidade Cândido Mendes.

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